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Alunos vão ser ensinados a gerir emoções

Todas as escolas públicas de S. João da Madeira vão ter aulas de educação emocional. Em espaços de 90 minutos semanais, os alunos vão aprender a gerir as emoções próprias e a lidar com as dos outros.

O projeto “Inteligência Emocional nas Escolas” arranca este ano em 16 escolas de S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, Vila Nova de Gaia e Vagos, depois de uma primeira experiência entre 2005 e 2007 na EB2,3 de S. João da Madeira. Desenvolvida pela professora Manuela Queirós, a experiência assumiu a forma de clube e melhorou o comportamento e sucesso escolar dos alunos que participaram nele, com o demonstrou uma investigação de Isabel Ramos no âmbito de um mestrado em Ativação do Desenvolvimento Psicológico, ministrado pela Universidade de Aveiro.

O programa será agora desenvolvido em outras escolas com o objetivo de treinar habilidades como a atenção e perceção emocional, a compreensão emocional e a regulação emocional. No fim, espera-se que ajude a diminuir comportamentos e atitudes de risco e combater a indisciplina, a agressividade e a desmotivação, como explicou Manuela Queirós durante as jornadas de educação que decorreram esta semana, em S. João da Madeira.

O “MQ – Aprender a ser feliz” pode ser implementado como um clube ou no âmbito da Área de Projeto. O foco principal é a auto-regulação emocional através de técnicas de meditação e relaxamento, assim como risoterapia.

A mentora do programa Manuela Queirós acredita que esta metodologia fortalece a concentração e a memória, melhora o rendimento de tarefas e aumenta a capacidade de empatia, além de ajudar o aluno a obter paz e tranquilidade. A risoterapia, por sua vez, ao mesmo tempo que promove a alegria, desenvolve a autoestima e a autonomia, cria mais resistência ao stress e à ansiedade, desenvolve a criatividade e as relações de confiança.

As sessões começam habitualmente com um exercício de meditação e acabam com outro de prática de gratidão. “Não sendo panaceia para todos os males, este clube é uma mais-valia dentro de uma escola”, corroborou o diretor da Escola EB2,3 de S. João da Madeira. “Pode ajudar alunos e professores a compreender melhor o que está por trás da agressividade, da falta de estudo, concentração e motivação”, acrescentou. Aníbal Almeida acredita que se vive na “ditadura da razão”, gerida por um pensamento positivista em que a racionalidade é que comanda a vida, quando “muito do que somos e nos determina é a parte emocional que comanda”. “Este clube pode ajudar os alunos a conhecer os problemas que os afeta”, afirmou.

O projeto “Inteligência Emocional nas Escolas” será avaliado por uma entidade externa. Mediante os resultados, poderá ser proposto o seu alargamento e generalização a todas as escolas do país.

 

Jornal Labor 9 de Setembro de 2010 por Anabela S. Carvalho

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